O CINEMA DO DESEJO É UM PROJETO DEDICADO À RESTAURAÇÃO DE UMA FILMOGRAFIA AINDA POUCO EXPLORADA NO CINEMA BRASILEIRO E QUE MERECE SER REDESCOBERTA NOS DIAS DE HOJE
PROMO

cinema do desejo
CONTEXTO da época dos filmes
Depois da Lei da Anistia em 1979, a ditadura no Brasil estava com os dias contados. Apesar da censura da violência policial e do conservadorismo dominante, o regime militar enfraquecia. Exilados retornavam e a política voltava a ser praticada abertamente. Nesse cenário, dentro do que a imprensa chamou de Novo Cinema Paulista, surgiram esses filmes onde o desejo assumia protagonismo, definia e conduzia os personagens e a narrativa. Emergiram do filão dominante da “pornochanchada”, mas rechaçavam o moralismo sexista dessas produções comerciais e, mesmo não tratando diretamente de política, eram a negação da ditadura. Colocavam o desejo como uma afirmação de identidade e de vida. Eram fruto do confronto ainda que indireto com o regime militar e ajudaram a formatar o cinema que viria a seguir. Exprimiam impasses e contradições do país que saía do período de ruptura democrática. Mas o Novo Cinema Paulista foi ciclo efêmero. A rendição dos circuitos exibidores nacionais à pornografia e à produção estrangeira somada à hiperinflação da década de 1980 tornaram a atividade cinematográfica totalmente dependente do estado. Assim, quando Collor tomou posse em março de 1990 e acabou com a distribuidora estatal Embrafilme, a produção nacional caiu a praticamente zero. Foi um golpe de morte nessa cinematografia que ressurgia respondendo com transgressões mais ou menos explícitas a um tempo de interdições. São esses filmes de Ícaro (Francisco) C. Martins e José Antonio Garcia, de período ainda não suficientemente explorado e estudado, que precedeu o Cinema da “Retomada”, que agora trabalhamos para restaurar em parceria com a Cinemateca Brasileira.
AS PRODUTORAS: A trilogia da dupla de cineastas foi produzida pela Olympus Filmes, que mais tarde e junto com a Cinearte produziu o quarto longa do José Antonio Garcia.
DIRETORES

Diretor
José Antonio Garcia
José Antonio Garcia (1955 - 2005) foi um cineasta brasileiro. Membro da geração do cinema paulista da década de 1980, batizada entre os críticos paulistanos de “Novo Cinema Paulista”, frequentou os cursos de roteiro e direção da Escola de Comunicação e Artes da USP entre 1973 e 1976, onde dirigiu alguns curtas-metragens experimentais, como Hoje Tem Futebol (1976), Marilyn Tupi (1977) e Tem Bola na Escola (1979), antes de debutar nos longas-metragens em parceria com Ícaro (Francisco C.) Martins; O Olho Mágico do Amor (1982), Onda Nova (1983) e Estrela Nua (1985). Seu filme solo, O Corpo (1991), baseado no conto “A via crucis do corpo”, de Clarice Lispector, com Marieta Severo, Claudia Jimenez e Antonio Fagundes, foi premiado nos Festivais de Brasília (Brasil) e de Cartagena (Colômbia). Também dirigiu o longa Minha Vida em Suas Mãos. Faleceu no Rio de Janeiro, em 2005, após estrear uma peça com sua direção baseada na obra de Clarice Lispector “Crônicas para não esquecer e A Pecadora Queimada e os Anjos Harmoniosos”.

Diretor
Ícaro (Franscisco C.) Martins
Ícaro Martins, ou Francisco C. Martins (1954), começou no “Novo Cinema Paulista” escrevendo e dirigindo, junto com José Antonio Garcia, O Olho Mágico do Amor (1982), Onda Nova (1983) e Estrela Nua (1985), conquistando vários prêmios , como APCA, Gov. do Estado de SP, entre outros.
Colaborou nos roteiros da renomada série da TV Cultura “Castelo Rá-Tim-Bum” e foi roteirista de Tempo de Resistência (2003), de André Ristum. Dirigiu, junto com Helena Ignez, Luz nas Trevas – A volta do Bandido da Luz Vermelha (2010), exibido no 63º Festival de Locarno. Diretor e co-roteirista de Maria – Não Esqueça Que Eu Venho dos Trópicos, seleção oficial do festival “É Tudo Verdade”, em 2017. No teatro dirigiu espetáculos virtuais, como O Grande Inquisidor, de Fiódor Dostoévski, Diana, de Celso Frateschi, e Horácio, de Heiner Müller (Teatro Ágora, 2021/22); Em 2022, no Teatro SESC Consolação, colaborou com Vivien Buckup na direção de O Canto do Cisne, de Tchechov, e dirigiu, junto com autor Celso Frateschi, o infantil Gongorê.
SOBRE
Nosso projeto visa sensibilizar a importância de preservar a memória da arte e da cultura, atuando para manter viva a essência de obras cinematográficas únicas.
Para que estes filmes sejam perpetuados, fazem-se necessário e fundamental a restauração e a manutenção dos suportes
que as obras foram impressas, antes que
elas se apaguem para sempre.
O Projeto Cinema do Desejo teve seu início com a recuperação e relançamento do filme Onda Nova com enorme sucesso. A oportunidade foi criada pela seleção desta obra para a seção Histoire(s) du Cinéma do 77º Festival de Cinema de Locarno – 2024, possibilitando o restauro do filme e sua remasterização em 4K em colaboração com a Cinemateca Brasileira, Zumbi Post e JLS. Desde então, Onda Nova tem sido exibido em diversos festivais nacionais e internacionais, com uma incrível recepção. Em março de 2025, foi relançado comercialmente pelas distribuidoras Vitrine e Tanto, com um novo trailer feito por Marina Kosa e novos pôsteres (por Helena Garcia, Mariana Zanetti etc.), o que comprovou a receptividade de público e crítica para as obras dessa dupla de diretores, assim como sua atualidade no debate cultural contemporâneo. É essa bem-sucedida experiência que pretendemos complementar e estender com o Projeto Cinema do Desejo.

O Olho Mágico, Estela Nua e O Corpo também
já foram iniciados no processo de recuperação.
Acabaram de ser digitalizados.
Agora o Projeto visa dar continuidade no restauro dos filmes.

Filmes que voltam a ser exibidos no circuito comercial e em festivais pelo mundo

QUEM SOMOS

JULIA
Duarte
Produtora apaixonada por cinema e história, sobrinha de Jóse Antonio Garcia, concebeu e foi quem deu o pontapé inicial para a retomada dos filmes.
Idealização, coordenação
geral e produção executiva

FRANCISCO Martins
Também conhecido como Ícaro, é codiretor da Trilogia do Desejo e traz a alma e a vivacidade dos filmes para a atualidade.
Idealização, coordenação geral
e direção do restauro

HELENA
Garcia
Filha do diretor José Antonio Garcia, trouxe seu olhar contemporâneo para esta importante empreitada.
Idealização, coordenação geral e design



Apoio:



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